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Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai

Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra Divulgação / Axia Energia O governo pretende propor uma nova modalidade de exportação do Brasil para a Argen...

Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai
Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai (Foto: Reprodução)

Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra Divulgação / Axia Energia O governo pretende propor uma nova modalidade de exportação do Brasil para a Argentina e o Uruguai, baseada na venda antecipada de energia que ainda será gerada, mecanismo conhecido como “vertimento turbinável antecipado”. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As informações constam em documentos da consulta pública aberta pelo governo nesta segunda-feira (27). 🔎 Essa modalidade permite antecipar a venda de energia que poderia ser produzida com água excedente dos reservatórios e que, sem essa medida, acabaria sendo desperdiçada. A medida permitiria gerar receita com uma energia que hoje não é usada para atender ao consumo do país e ajudaria a aliviar o excesso de energia disponível — situação que gera prejuízos às usinas solares e eólicas e dificulta a operação do sistema elétrico nacional. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 A ideia já vinha sendo defendida por grandes geradores de energia elétrica, que vinham discutindo com o governo, nos últimos anos, formas de viabilizá-la. O Brasil criou, em 2022, regras para exportar aos países vizinhos a geração hidrelétrica excedente com base em vertimentos “iminentes” — e não futuros, como está sendo proposto agora. 🔎 Vertimentos iminentes são sobras de água que devem ocorrer em breve. Já os vertimentos futuros são excedentes previstos para os próximos meses, com tempo para planejamento. Essa primeira modalidade de exportação, no entanto, só foi usada em 2023, quando um período de chuvas abundantes levou as usinas hidrelétricas a abrirem seus vertedouros. Desde então, esse tipo de operação somou um benefício financeiro de R$ 788,2 milhões. Segundo a proposta anunciada nesta segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá autorizar a exportação antecipada pelas hidrelétricas quando houver previsão de sobra futura de água capaz de gerar energia. Essa nova modalidade poderá ocorrer a partir da operação, pelo ONS, de usinas localizadas nos subsistemas Sul e Norte, preservando a energia de subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerados essenciais para garantir o abastecimento do país. A proposta considera dois períodos distintos ao longo do ano, definidos pelo ciclo de chuvas no Norte, que influencia o volume de geração das grandes hidrelétricas da região. No primeiro intervalo, de junho a novembro, correspondente ao período seco no Norte, quando normalmente as hidrelétricas da região não vertem água, poderá ocorrer a exportação antecipada, desde que haja bons níveis de água nos reservatórios do Sul do país. Já no segundo intervalo, de dezembro a maio, período mais chuvoso no Norte, a ideia é recuperar o nível de armazenamento do Sul após a exportação realizada no intervalo anterior, ampliando o uso das hidrelétricas do Norte e reduzindo a geração no Sul A modalidade abre uma oportunidade relevante para os geradores hidrelétricos, ao permitir evitar desperdícios de recursos por falta de demanda, e também deve trazer benefícios ao sistema brasileiro e aos consumidores, afirmou Marisete Dadald Pereira, presidente da Abrage, associação que reúne grandes investidores do setor, como Axia, Engie Brasil, CTG Brasil e Auren. Segundo ela, a entidade vinha mostrando ao governo que o Brasil já poderia ter exportado aos países vizinhos seus excedentes hidrelétricos nos últimos anos, assim como ocorreu com a energia termelétrica. "Em um sistema cada vez mais renovável, o desafio não é só gerar energia limpa, mas evitar que ela seja desperdiçada", disse Pereira, acrescentando que a fonte hidrelétrica costuma ser a primeira a ter sua geração reduzida pela ONS, por permitir ajustes mais rápidos no volume produzido. A nova modalidade de exportação antecipada dependerá da adesão de geradores hidrelétricos interessados e não incluirá usinas que operam sob o regime de cotas — modelo em que a energia é destinada ao mercado regulado — nem a Itaipu Binacional. A operação será conduzida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).